Incompetência e desculpas esfarrapadas

Sem obras, sem planejamento, sem verbas, mas com uma garantia: “contornar o problema com ações de socorro às vítimas”. Ufa! Pensei que iam deixar as vítimas boiando, literalmente… Resolver, o “melhor” prefeito do Brasil não consegue, mas antecipar lorotas e desculpas, é com ele mesmo. Seria cômico, se não fosse trágico.

Belo Horizonte precisa de mais R$ 3,5 bilhões para enfrentar enchente

Prefeitura, que só dispõe de R$ 1,5 bi para concluir 34 obras, pretende contornar o problema com ações de socorro às vítimas
Belo Horizonte precisa de pelo menos R$ 5 bilhões para obras que protejam a cidade das tragédias provocadas pelas chuvas. O valor seria suficiente para evitar inundações e remover famílias de mais de 3 mil imóveis em áreas de riscos. No entanto, apenas R$ 1,5 bilhão estão disponíveis para serem investidos em 34 obras. Dessas, 12 foram concluídas e o restante deve ficar pronto até março de 2014. Para amenizar a situação, a prefeitura supre a falta de intervenções fortalecendo ações de socorro às vítimas e de vigilância dos cursos d’água.
Na manhã desta terça-feira (4), o prefeito Marcio Lacerda apresentou o Plano de Ações de Combate às Inundações, mas disse que é utopia deixar a cidade totalmente livre dos problemas causados pela chuva, devido à extensão da malha hidrográfica da capital, com mais de 700 quilômetros. “O investimento total para eliminar os riscos é muito alto, e ainda levará alguns anos para essas obras serem feitas”, afirma. O prefeito diz que busca, junto aos governos estadual e federal, os R$ 3,5 bilhões que faltam para a realização de obras já previstas.
Parte das intervenções que integram o plano foi aprovada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Os contratos, no valor de R$ 283 milhões, devem ser assinados até o fim deste mês, mas as obras só serão iniciadas em março de 2012. Mais de R$ 274 milhões serão investidos na canalização de seis córregos, e outros R$ 8,75 milhões para a elaboração de projetos. As intervenções vão se estender por um período de 18 a 24 meses, com conclusão prevista até março de 2014.
Lacerda reconhece que há atrasos em parte das 11 obras em curso, feitas em parceria com os governos do Estado e federal. “São ações complexas, que exigem remoções das famílias”, diz. As intervenções preveem a retirada de famílias de cerca de 3 mil imóveis, de um total de mais de 10 mil em 82 áreas de risco de inundações e deslizamentos mapeados em BH.
O coordenador executivo do Programa Drenurbs e presidente do Núcleo de Projetos Especiais de Saneamento da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), Ricardo Aroeira, diz que os cinco eixos da estratégia contra o período chuvoso são: planejamento e gestão, obras estruturantes, intensificação da manutenção preventiva, monitoramento e ações preventivas com a população em áreas de risco. “Outros dois estudos serão finalizados até o fim do ano para identificar prioridades de intervenções nos ribeirões Arrudas e do Onça”.
Entre as medidas, a PBH irá investir R$ 4,8 milhões no monitoramento dos cursos d’água, por meio da instalação de 27 estações pluviométricas, quatro terminais climatológicos e 11 estações fluviométricas. Para alertar a população sobre inundações, a prefeitura enviará mensagens de texto para celulares de líderes comunitários, imprensa e gestores, a partir do próximo dia 10. Uma parceria também será firmada com taxistas, que comunicarão a ocorrência de inundações às centrais, que repassarão a informação às autoridades. Além disso, mais quatro depósitos de ajuda às vítimas da chuva serão instalados pela Defesa Civil nas regiões Leste, Venda Nova, Oeste e Barreiro.
Quanto aos riscos de deslizamentos, a diretora de Manutenção e Áreas de Risco da Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel), Isabel Eustáquio Queiróz Volponi, diz que as vistorias serão intensificadas em 91 pontos de 35 áreas de vilas. Nos últimos 11 meses foram feitas 5.127 fiscalizações. Ela diz que a cidade tinha 3.789 imóveis em áreas de risco de desabamentos em 2009. Dados preliminares de um novo levantamento apontam uma redução de 25%.
Anúncios
Esse post foi publicado em A Cidade. Bookmark o link permanente.