INCOMPETÊNCIA – A cidade parada

Pane em semáforos provoca congestionamento de 50 km

Defeito em sinais da Via Expressa teve reflexo na Savassi e no centro da cidade
A disposição da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) em testar a paciência do motorista belo-horizontino foi colocada à mostra mais uma vez ontem. Uma pane que se arrastava desde segunda-feira na fiação de 13 semáforos controlados pela empresa na Via Expressa, na altura do bairro Coração Eucarístico, provocou um congestionamento em cascata na capital. Por pelo menos três horas – entre às 6h e às 9h – motoristas que tentaram passar pela via ficaram presos numa fila de 10 km no sentido centro. Quem estava na pista contrária também ficou preso no engarrafamento.
O nó no trânsito aumentava à medida que os motoristas buscavam caminhos alternativos. Somados todos os pontos de congestionamento, a fila de carros chegou a 50 km, mesma distância entre a capital e a cidade de Itabirito. Os reflexos foram sentidos em pelo menos três regiões da cidade, incluindo o Anel Rodoviário e as avenidas do Contorno, na altura da Savassi, e Amazonas, que registrou 9 km de trânsito parado entre a praça Raul Soares, no centro da capital, e a Cidade Industrial, na entrada de Contagem.
Só depois de três horas de muita confusão, a pane foi corrigida. A solução, no entanto, durou pouco tempo e uma hora e meia depois, os sinais voltaram a funcionar em flash. O problema só foi solucionado por completo às 15h.
Às 7h30, quando a fila de carros já ocupava os dois sentidos da Via Expressa, a reportagem de O TEMPO procurou a BHTrans. A assessoria de imprensa da empresa, que conta com 34 câmeras de monitoramento, surpreendentemente, informou que não havia qualquer problema no trânsito da cidade.
No entanto, dois funcionários da empresa já estavam no cenário de caos. O reforço no controle do tráfego só foi providenciado por volta de 10h30, horário em que dez fiscais da BHTrans, com a ajuda de quatro policiais militares, passaram a monitorar o trânsito. A explicação para a demora, segundo o supervisor de operações da empresa, Haroldo Gouvêa, é que os fiscais escalados para a tarefa também ficaram presos no trânsito. “As equipes que atendem as regiões Oeste e Barreiro não possuem motos”.
À BHTrans faltou agilidade. Aos motoristas, sobrou revolta. Desesperados, alguns atravessavam os canteiros centrais da Via Expressa. Outros, sem opção, simplesmente desligaram os carros. Foi o caso do vendedor Bruno Duarte, 32, que passou quase meia hora com o veículo parado. Acostumado a fazer em uma hora o trajeto entre Esmeraldas e a capital, o motorista José Aparecido, 48, gastou o triplo do tempo ontem. “Isso é revoltante”.
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